

Meu papel
Fui responsável, em dupla com Mika Santos, por todo o processo do projeto (da pesquisa até a criação da interface e testes), com a participação de Juliana Cirino, Pedro Tavares e Antônio Messias.

Através de uma Desk Research, buscamos responder as primeiras dúvidas que surgiram em nossa mente, e entender melhor o tema em si.
A participação cidadã é um direito previsto em lei e na constituição. Mas apenas 6% das pessoas acreditam que é eficiente exercer a democracia através da participação direta, além do voto. Isso tem origem no histórico de corrupção e falta de retorno social no país.
(PUC-RS, 2020)
Diversas pesquisas comprovam e mensuram que a participação é algo positivo para a população em geral, traz senso de pertencimento e de processo educativo perante a política, e que ter um mero contato com isso já desperta interesse e motivação.
(UFBA, 2010)
Do ponto de vista da gestão pública, os meios de participação (sendo os principais as consultas, os conselhos e as ouvidorias) geram uma demanda muito grande e faltam meios de sistematizar isso em informação possível de ser consumida pelos gestores. Também faltam meios de apresentar os resultados para a população.
(Diálogos Setoriais UE-Brasil, 2012)
A ampliação do acesso à tecnologia aumentou o interesse da população pela busca de direitos e melhorias, e a internet é de fato eficiente como um incremento na participação, com exemplos pelo Brasil e pelo mundo - sendo os mais fortes os de Orçamento Participativo.
(Instituto Pólis, 2011)
Porém, ainda é baixa a adesão de pessoas que participam de enquetes, fóruns, votação e consultas públicas online.
(UFERSA, 2020)
Fizemos um Benchmarking de 8 plataformas que tratam de participação política no Brasil, e todas tinham ao menos um desses problemas:
Ser apenas um meio de consulta de informação, e não de participação;
Não dizer muita coisa pra quem não entende de assuntos burocráticos;
Não tratar de projetos reais, mas de propostas da população;
Ser pago e direcionado para empresas.
Esse se tornou o X da questão quando percebemos que poderíamos tomar dois caminhos diferentes: um, focado nas pessoas que trabalham na gestão pública; e outro, focado nas pessoas cidadãs.
Tomamos uma decisão focada na participação em si.
No intuito de responder essa questão, extendemos algumas pesquisas para a Matriz CSD, definindo as principais certezas, e de todas as suposições e dúvidas elaboradas, aqui destacamos apenas as que levamos adiante para validação usando o Mapa Relacional:
Na análise das pesquisas com usuários, fomos identificando macrotemas em cada etapa, que foram se transformando ao longo desse processo de descoberta, e serviram de base para elaborar os Top Insights:
50%
e delas, apenas 5% se consideram ativamente engajadas hoje.
Das que nunca participaram, 19,5% gostaria de participar.
31%
Ou seja, apenas 31% das pessoas realmente não têm nem um pouco de interesse nas questões políticas.
89,1%
sentem alguma desmotivação. Falta de tempo, descrença e complexidade são os maiores fatores.
48%
das pessoas buscam informações políticas.
Portais de notícias e televisão vêm em seguida.
62,3%
das pessoas que já participaram já utilizaram algum portal ou app do governo para se informar sobre.
78%
dessas pessoas gostou da experiência, invalidando uma de nossas suposições.
37,5%
não acompanha nenhuma gestão política.
24%
dessas pessoas afirmam buscar informações políticas, o que demonstra engajamento de outras formas.
48%
sente que nenhuma gestão leva em consideração a participação cidadã.
A partir da análise do questionário, surgiu esse entendimento. O consumo de informação é o ponto onde a participação começa, e a importância da educação já tinha sido validada na Desk Research.
Passamos a considerar isso ao conversar com as pessoas na pesquisa qualitativa, buscando identificar o que é participação política para as pessoas, no intuito de validar essa hipótese também.
"Eu fico muito naquela sensação de quando tá próximo a algum contexto de política eu me envolvo no assunto, mas não me aprofundo muito sabe?"
“Acho que o celular tá mais na palma da mão no dia a dia e você acaba ali no rolo dos seus feeds dando uma olhada e acompanhando."
“Eu não sei sobre, mas nunca pesquisei muito, então talvez seja culpa minha.”
“Eu não costumo perguntar às pessoas porque geralmente elas nos levam a um tipo de pensamento, né?”
“Escolho meu voto pensando no que eu acredito e no que beneficia a mim e as pessoas ao meu redor”
"Eu acho que o meu desinteresse é mais devido ao diálogo, porque eu acho que o diálogo ficou muito complicado, sabe? Por ter ficado tão acirrado, sabe?"
"Hoje eu não participo de nada, mas já participei de manifestações, reuniões e coisas do tipo. Gostei muito de ter participado."
Cruzamos todas as informações coletadas:
Desk Research + Questionário + Entrevistas
para resumir os aprendizados mais relevantes para a construção de uma Persona e a definição de um problema.
Essa etapa deu retrabalho!
Quando já estávamos mais adiante no projeto, tivemos que voltar nesse ponto e refazer. Isso fez toda a diferença mais adiante, principalmente na clareza da Proposta de Valor.

Isa tem 28 anos, mora em Salvador desde pequena.
Tem forte senso de responsabilidade e justiça social.
Trabalha como Auxiliar Administrativa, estuda Enfermagem, e mora com a mãe, dividindo os cuidados e despesas da casa.
Trabalha durante o dia e estuda à noite, por isso prefere consumir informações de forma rápida e objetiva através das redes sociais.
Isa sonha em conquistar uma vida mais digna e acredita que através da enfermagem pode contemplar seu senso social.
Empatizando com a Isa e focando em suas dores e necessidades conseguimos elaborar a Declaração do Problema:
Isabela precisa ter acesso a informações políticas resumidas, discussões seguras e pacíficas, e meios de participação rápidos e eficientes para se sentir mais confiante e pertencente como cidadã.
Construindo um mapa de empatia da Isa e um Canvas de Proposta de Valor, foram surgindo ideias mais claras do que precisávamos resolver e como poderíamos fazer isso. Lembrando que deveria ser através de um produto digital que tivesse valor para a Isa no dia a dia dela.


Mesmo estando na fase de definição, precisávamos de algum exercício de expansão para indagar maneiras de materializar essa proposta de valor. Fizemos o exercício "Como poderíamos?", e organizamos as ideias geradas ao responder essas perguntas com a Matriz MoSCoW, que possui 4 regiões: "Tem que ter", "Deveria ter", "Poderia ter" e "Não vai ter". Aqui, por motivos de síntese e da própria ideia de priorização, apresentamos apenas as ideias que fariam o produto perder valor e sentido se não tivessem.
Com esses dois exercícios, ficou bem claro qual produto iríamos construir como solução para o problema da Isabela.
Facilitar o acesso à participação política seria o diferencial do Vozzz como rede social.
Como poderíamos...
Tem que ter!
Fizemos os Crazy 8s, uma atividade criativa em que cada integrante da equipe produziu diversos esboços rápidos elaborando ideias de como transformar as ideias de funcionalidades em interfaces com usabilidade.
Como surgiram muitas ideias, esses rabiscos ainda estão na fase de definição, e não de desenvolvimento, pois ainda precisamos fazer outro processo de priorização depois dele. Essas ideias rabiscadas foram filtradas numa Matriz de Impacto X Esforço, que possui 4 regiões: "Não é prioridade", "Se sobrar tempo fazemos", "Temos que analisar" e "Vamos fazer". A seguir mostro apenas as telas que priorizamos para fazer e que foram incorporadas no protótipo final.






Nosso User Flow foi bem detalhado, com bastante tarefas. Percebemos como o produto que estávamos criando era complexo, e como teria muitas funcionalidades, o que poderia dificultar nosso trabalho daqui pra frente. Mas seguimos, pois após revisar bastante, não tínhamos dúvidas de que estávamos alinhados com as dores e necessidades da Isa.
Buscamos mapear principalmente os fluxos que levariam a rede da pessoa usuária a interagir com as ferramentas de participação política. Isso nos proporcionou uma clareza fundamental para entender o que deveria estar presente em cada tela e como organizar a informação de forma lógica e intuitiva.
A seguir, um mapa do site básico da arquitetura de informação definida.
Fizemos alguns wireframes de baixa fidelidade e um grande desentendimento nos fez tomar uma decisão de logo partir para a média fidelidade. Essa escolha nos permitiu dar uma estrutura mais sólida ao produto, além de acelerar nosso aprendizado no uso do Figma com componentes e autolayout, o que agilizou bastante o trabalho.
Fizemos mais um Benchmarking para aprender sobre a estrutura visual e de interação das redes sociais que mais faziam sentido para as pessoas entrevistadas: Instagram e Twitter.
Nosso objetivo era proporcionar uma experiência familiar e confortável para os usuários, de modo que eles se sentissem em um ambiente conhecido.
Arraste para o lado para ver as telas:
Baixa fidelidade

Média fidelidade
A primeira decisão do Style Guide foi trabalhar com 3 cores, para transmitir a diversidade que existe e deveria existir, de opiniões, culturas e contextos no Brasil.
Escolhemos o nome “Vozzz” pensando em transmitir um novo jeito de falar sobre política, renovando a forma como as pessoas se veem participando ativamente.
O logotipo em progressão representa a voz ecoando, libertando a opinião e simbolizando o despertar para a participação cidadã.
Que a política possa ser uma parte natural do dia a dia de cada pessoa.



No onboarding falamos sobre esse reconhecimento do lugar de fala da pessoa como um direito, por que a participação cidadã é um direito.
Com a Lei de Jakob em mente, repetimos padrões de outras interfaces de redes sociais já consolidadas para organizar o que é novo na nossa arquitetura de informação.





4 pessoas participaram do teste, que foi realizado através da ferramenta Maze.
No geral, as pessoas ficaram positivamente surpresas com a possibilidade de existir uma ferramenta com esse objetivo. As palavras "intuitivo" e "fluído" foram bastante utilizadas e ficamos muito felizes com o resultado!
Missão 1: Cadastro no app
Essa missão foi praticamente sem dificuldades, só concluímos que o espaçamento da área de toque dos inputs deveria ser um pouco maior. Essa dificuldade está representada nas duas primeiras telas do teste de calor abaixo.
Missão 2: Assinar um Projeto de Lei
Aqui houveram duas dificuldades:
Uma foi encontrar a parte de participação onde estava essa PL na tela da Home, então seria algo necessário para revisarmos. A terceira tela do teste de calor representa isso.
A outra dificuldade foi que após serem redirecionadas pro site do governo, tiveram dificuldade de encontrar o botão para clicar e assinar a PL de fato, e conversamos sobre como isso estaria fora do nosso controle, pois é uma ação que precisa ser realizada fora do nosso app, porém poderíamos elaborar maneiras de mitigar isso dentro da nossa interface.

Com mais tempo, além dessa questão do redirecionamento, o que considero mais importante seria refazer alguns componentes, principalmente as postagens do feed e os label bars (aumentando a área de toque e simplificando as opções) e faria outro teste de usabilidade mais extenso. Nele devemos medir algumas métricas de resultados chave, como tempo de completude e taxa de sucesso das tarefas de participação e postagem. Esse trabalho está em andamento hoje.
Com o desenvolvimento do aplicativo, para garantir e acompanhar os resultados de negócio esperados pelo governo federal (que seriam o aumento do número de pessoas em ações participativas; e dados de comportamento, interesses e opiniões políticas das pessoas usuárias, que dependeriam da retenção de usuários ativos) os seguintes indicadores chave de desempenho devem ser acompanhados:
porcentagem de usuários por participações concluídas;
coeficiente viral;
taxa de retenção;
taxa de clicks por usuário;
time on screen.
Novos insights a partir do teste de usabilidade:
Podemos ver com base no teste de usabilidade que a solução para a principal dor, que era o peso dos diálogos conflituosos sobre política, foi bem solucionada com as funcionalidades de rede social do Vozzz. Nos resta testar e iterar formas de intermediar melhor e amenizar os problemas da questão do redirecionamento para ações participativas em páginas externas (do governo por exemplo) através da nossa interface.


